Atiro-me nas suas águas do desejo.

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Envolve meu corpo, preenche lamúrias com menores martírios, já que dissolve minhas imperfeições em mares profundos de tesão. Atiro-me no escuro diante de ti, meu delírio íntimo e diário de admiração, no exercício de aprendizado de salivas e trocas de beijos-mordidas. Se é que tal ilusão me parece constante? É que cada verbo de amar é menos árido diante de sua paciência-molhada em suores e cheiros que me contestam receios. Atiro-me no desconhecido ato de amar-pra-ser-amado, ainda que a insegurança seja um lema-cotidiano. Estou a todo vapor por seu sabor.

Cristiano Contreiras
Cartas-Vomitadas 0110
*imagem: Tumblr

fere-me o teu seio…

fere-me-o-teu-seio

gomo de sol na tarde
como se os dentes mordessem
a carne dos lábios
e um fio de sangue ficasse
suspenso sobre a auréola do mamilo

caiu a noite
e no coração é chuva
à espera que os teus dedos
sigam o rasto
que segue pele adentro

fico neste instante de mar
que os teus cabelos me ondulam
rente ao peito.

Helder Magalhães
*imagem: Mira Nedyalkova

Carta à minha bambina com aroma de chuva

lunna


Escreve sempre que precisares, faz
uma lista de compras, uma lista de desejos,
anota todos os pedidos que deixaste
em poemas atrasados.
Escreve sempre que precisares
de mais um postal com selo e carimbo.
Escreve sempre que riscares
na tua agenda mais uma morada.

Margarida Ferra

Bambina mia,
Antes de te escrever eu saio para brincar com o céu. Pés descalços e braços abertos ao vento. Aqui o céu amanheceu lunnático e chamava seu nome a cada estrondo. As manhãs no meu quintal tem amanhecido com gosto de chuva a fazer aromas na minha cozinha… brindei sua vida com latte com café e o sabor inundou a manhã.
Refiz um roteiro com o mapa de tudo que vivemos e no contar das horas percebi que não me lembro sem você.
Parece que sempre esteve aqui. Na parte encantadora da minha vida  desde sempre com sabores, amores e presença.
Você está nas minhas histórias – e nos momentos de realizar os sonhos tem suas mãos nas costuras das linhas coloridas em realidade pura – e faz com que eu seja uma personagem da sua.
E quando vem a chuva ou seu anúncio de tempestade eu sinto a sensação do teu toque e seu nome entranhado nos trovões que acorda a natureza do meu lugar.
O dia, hoje, aconteceu fora das rotinas…
Mas ainda assim, dentro do emaranhado da vida teci para você preces em forma de poemas…
Que cada momento seu seja mágico e que essa magia faça você sentir minha presença mesmo longe.

Ti voglio benne!

Mariana Gouveia

as palavras…

as-palavras

se esculpem em gestos
jaz por terra qualquer sentir
onde os teus passos não vagueiam nos meus
dando luz à vida que nos precedeu no mar
no vento
nas tuas mãos

na claridade perfeita do teu olhar

as palavras cintilam

Ana Christelo
*imagem: Tumblr

Ecoa

ecoa

Ecoa.
Era quase vento sem ter asa.
Era quase pele sem ter poro.
Às vezes, é preciso vento.
Um poeta completa anos e eu, mesa.
Ela, cama…
Libélula na boca em asa
e gozo.

O vento mora aqui
e a maresia invade as cortinas.
Ganha rumo na risada dela.

Quebra regras,
cita nomes.
Me desenha em círculos
e daí eu sou só poema na palavra dela.

Relembra o dia
em memórias todas.
Canto ela nas nuvens
Pego ela no ar.
Respiro a leveza no encanto dela.
Depois disso, prazer é meu nome

Mariana Gouveia
*imagem: Savannah Daras

Septum

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“Que eu saiba pisar no instante seguinte
com pés de encantamento”.

Van Luchiari

  Isso aqui é um pouco de tudo!
Fios de um tecido. Retalhos de uma colcha. Pequenos cenários compondo uma paisagem.
Um punhado de fotografias espalhadas sobre a mesa, à espera de um álbum. Uma narrativa (viva) inacabada porque não acredito em coisas definitivas.
Tudo na vida é esse movimento… portanto não podem acreditar na imobilidade das linhas a seguir… que são tudo e nada… muitas coisas… menos um diário!
– em que momento da vida, de fato…se deve contar como sendo o ponto de partida da Vida? A data de nascimento que o documento aponta… serve como marco inicial apenas para o mundo dos homens.
Mas e para nós… “humanos mutantes” que somos? Qual seria o nosso “marco zero”?
Tudo que eu sei sobre a ocasião do meu nascimento é coisa alheia. História escrita e reescrita pelas figuras que se fizeram presentes à ocasião… mas em minha anatomia não existe uma única gota de consciência acerca de todos estes fatos… narrados com empolgação e emoção intensas… nos mais diversos momentos de minha existência.
– sempre me questionei ao longos dos anos quando é que EU realmente aconteci para o mundo?
A resposta, contudo, permanece em suspenso!

Lunna Guedes
Diário das quatro estações – Septum

Havia um burburinho entre as folhas do livro e as mãos dela. Mas o burburinho era meu, enquanto ela deslizava tão dentro das histórias e falava com o aparelho que tocava uma canção…
De repente, a mão desenhava letras e diante do mistério que se seguia aos meus olhos curiosos – ela criava parte do livro perante aos meus olhos curiosos.
E assim, como por encanto, eu vi a mágica ser criada.
Uma aura vinha da janela e emoldurava o cabelo dela e por alguns minutos dourou o quase pratead0… ela nem percebeu, mas para mim, ali, ela acontecia para meu mundo. Uma figura que a vida colocou em meu caminho e desde então ela se recria em mim.
Para mim, ela renasce quando chove, quando trovoa, quando a tempestade acontece nos meus quintais…
Septum me mostra ela desnuda em palavras e encantos. Septum me devolve a bambina que de alguma forma se entranha em mim em carinhos que não sei explicar.
E aqui você pode adquirir Septum e se encantar também.

Mariana Gouveia