As borboletas nascem pela manhã

as borboletas nascem pela manhã

O dia desbota madrugada ainda quando começa o trabalho de nascer.
O céu vira um verdadeiro pote de flocos e cobre meu quintal todo. As nuvens devem ter vindo para dar o poder do voo para ela que nasce ainda desenrolando as asas. Ofereço aconchego de colo, e ela pousa em mim. Lembro-me da simbologia do nome que um dia me deu.
Nessa hora, é que eu te mostraria o encanto do dia e a vida seguiria seu rumo de terça.
O galho onde ela nasceu, pende, leve. Oscila com o vento. Foi ninho e hoje já é apenas um galho de uma flor, que seca em pleno inverno.
A cada borboleta que nasce em minha mão, percebo a diferença nas asas, mesmo sendo da mesma espécie. São como digitais, que desdobráveis, ensaiam seu primeiro voo.
Pousam em mim, em direções que não me permite registro.
Ela alcança o muro e segue rumo à liberdade.
Meus olhos acompanham ela a voar, pelo céu que agora dissolve suas nuvens e ganha um azul que me lembra você.

Mariana Gouveia

Mania do destino de escolher dias longos para doer mais

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Um homem toma posse de nada. A vida amanhece plena de saudade.
Era domingo, os dias iguais sem ela.
Quebra a caixa, destrói as sementes todas – lembranças perfumadas. Vidas plantadas – que ela deixou.
Não há vestígios de vida no jardim. Só gritos internos que habitam o silêncio de mim.
Pétala por pétala exposta em cheiro na mesa. A mesma mesa dos desejos todos. Da fome de existir dentro dela.
Esqueceu de brotar na folha do canto. A flor preferida não resistiu ao calor. O inverno aqui é quente, seco, sem umidade que precede raiz.
O doce, no canto, apenas faz figura da palavra perdida. Era doce a vida. Era.
Por desacato a flor avisa mudanças. O halo de cheiro invadindo quintais. A música toca. O pássaro canta. Parece que ri.
Mania do destino escolher dias longos para a saudade doer mais.
Histórias iguais a sua contada em poesia. Era ali, no livro marcado no poema que ela leu que mais doia existir.

Mariana Gouveia

Em cada palavra, eu te escrevo, amor

Em cada pelavra, eu te escrevo, amor

Quando o céu dimensiona saudade, escreve em simbologia em todo lugar.
Digo amo e a vida colore em flor.
Penso e a suave brisa lembra seu toque.
Li a minha sorte através das nuvens. Está escrito em qualquer lugar meu amor.
Ontem a noite vi uma estrela cadente…Rabiscou seu nome na curvatura do céu. Nasceu mais uma planta da semente que me enviou. O cheiro de saudade ganha espaço no meu dia. Te busco em cada lugar que passo.Te vejo nos rostos que passam por mim. Você está em cada gesto que faço.
Em cada palavra onde eu te escrevo, amor.

Mariana Gouveia