350. dos verbos indefinidos

Era essa a maneira de nos encontrarmos.

A fluidez do líquido – e  a água – nas histórias contadas.
A parte do humano quase real – os ossos, a pele – ardendo em febre e a solidez do dia.
A colheita sendo parte da história. A moça de branco na ligação que não atendi. O diagnóstico mudado no envelope.
Era o amanhecer um dia típico. como a selva nas palavras que li e o jardim transversal era uma coragem dentro do medo.
Na ponta da unha, a cor. O carmim a exalar essências quando o sangue é tudo rubro.
Ausência… seu nome é quando?
A tatuagem invisível entre a primavera e outra estação.
Meu medo estampado nos tecidos da cortina e a rua de cima feita de silêncios.
Mariana Gouveia
350. dos verbos indefinidos
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349. dos verbos indefinidos

Eram livres os guerreiros dos iguais… A tribo veio para a cidade como motivo de união… quando guerreiros se unem para o bem comum o universo se junta aos desejos. A grandeza da nossa vida expostas em conversas cotidianas e o riso das crianças ecoam floresta afora.
Era gestual as raízes e seu equilíbrio que a terra fazia em volta do povo. É grande demais o universo e cabe no coração de cada guerreiro.

Quando o bem comum é a vontade de todos, a terra em sua soberania age e favorece os espíritos dos homens que lutam.
Esses dias serão lembrados como uma época em que homens e mulheres, com suas crianças – de várias etnias – se uniram em ordem e graça do bem comum. Era um dia igual a hoje.
E nesse dia  a natureza vibrou em instantes e choveu…e fez sol, enquanto a arte foi motivo de encantamento e a amizade celebrada em abraços.
O homem comum se engrandeceu. Os guerreiros aprenderam que a sabedoria do compartilhar é a natureza vibrando na essência do espírito.
E a vida desabrochou em uma hora calma e a flor foi repouso onde o ninho foi pouso para o coração dos homens, onde as artérias douravam ao encanto do bater de asas.
Conta a lenda que o coração batia nas asas de uma borboleta e que os passos depois daquele dia, era quase voo nos guerreiros da floresta.

*encerramento da 19ª Reunião Ordinária dos Conselheiros Locais de Saúde Indígena na Semana de Planejamento e Gestão Indígena – DSEI Cuiabá.

Mariana Gouveia
349. dos verbos indefinidos

348. dos verbos indefinidos

Escondia nas mãos a sorte. No céu, a chuva de meteoros foi além do esperado na madrugada e somente uma estrela caiu diante dos meus olhos.

Era logo ali, além dos muros a vontade.
A dor veio de improviso quando o corpo esfria.
Tornei impossível o mar e o rio secou. Nem choveu pros lados do sul.
Em alguns momentos fica irrespirável essa falta de ar. As janelas fechadas. O céu sem cor e a ave, insone desdenhando a asa.
Em algum canto, uma mulher reescreve sua história em outro idioma.
As árvores tem a altura do sonho. As raízes – a dilatação das veias – voltadas para além da terra solta.
Hoje venho venho feito roda – gigante – o vento é esse sopro onde morro toda noite, apagando o sol e a floresta me engole.
Eu sou quase a ave, de costas para a vida enquanto o jardim é a encruzilhada para a vida.
Mariana Gouveia
348. dos verbos indefinidos

347. dos verbos indefinidos

 

 

Bambina mia,

Te encontrei na madrugada…. no lugar improvisado da mesa da cozinha. O molho do bife a milanesa exalava enquanto você chegava mansamente.

Te contei da lua?
Ela estava exuberante calçada afora. Lembrei – me de que na próxima madrugada,  a chuva – que tanto amamos – será de meteoros- Geminídios –  e se eu te contar que agora, o céu ficou nublado? Dá vontade de fazer birra igual criança!
Antes de tudo isso, enquanto o jogo de futebol arranca barulhos na sala eu penso que te levei pela mão rua afora, na madrugada minha. A brisa suave me fez te invocar presença. Você não aguentaria o calor, mesmo em pensamento, que fez hoje, por aqui,
Fui mostrando – te rua de cima,  a casa amarela, onde o sol vibra em qualquer tempo – lembra Adélia e seu poema Impressionista – e a árvore, que está ali, há anos, faz barulho quando passo. Parece dar um bom dia e eu assopro – como todo dia – em direção às folhas e ela vibra na intensidade da hora.
Há sempre um gato preto – que acho que nunca falei dele – à espreita e mia como se eu tivesse algo comestível na bolsa. Todo dia!
No ônibus, você espera a janela, que SEMPRE, SEMPRE está ocupada e eu fico aliviada de conseguir um banco. Respiro o sol que nasce, em alguma janela do nascente.
Começo a descrever os lugares que penso que gostaria: o bosque – tão mínimo agora – e as aves que reconheço e nomeio para mostrar que sei. o nome, espécie e etc…afinal, você é uma convidada que levo e direciono.
No segundo ônibus, você ganha ares de janela e vento.
Você é só leveza em meu instante.
Se os emotions fossem de verdade e quando a vida fosse o sentido frequente de estrelas, o céu teria seu nome descrito em meteoros de luz… que nem vou ver, porque o céu teimou em nublar por aqui.
Bacio
Mariana Gouveia

346. dos verbos indefinidos

Traçou a rota do dia. Mudou as rotinas todas. Pendurou a asa no varal. Havia previsão de chuvas.
A lua era apenas um risco dentro da nuvem.
Um menino de cabelo laranja mudou o dia. Às vezes, o destino improvisa as coisas e as horas tem cheiro de frutas.

As distrações trazia vontade em outros idiomas. Um sábio mudou para o endereço além das estrelas, enquanto guerreiros mudam rituais no dia.
A paz pode ser descrita em um poema, mesmo com uma guerra interna sendo travada na alma.
A sorte do dia sendo decifrada em um jogo de memórias. O riso encerra o abraço com a vida. A ignorância das marés criando hábitos em um dia marítimo.
A  fortuna chegando na flor da laranjeira. O verbo mudando o fim da página.
Os elementos da loucura sendo refúgio para as noites do nada e a verdade desbotada no boato do que o olho criou onde a paisagem é essa janela onde o vento bate.

Mariana Gouveia
346. dos verbos indefinidos

345. dos verbos indefinidos

Acordei com o cheiro de pão invadindo tudo. Não havia fome de outro dia. Nem padaria aberta vendendo sonhos. A manhã anunciava decisões vendidas em caixa.
Mando entregar em qualquer canto do universo. Frete grátis.
E cheiro a invadir as manhãs e o cão da vizinha a latir, latir. Sono perdido onde não se teve.
Sem a opção do pão comi poesias do paraíso.
Desceu matando fome de dor. Era quase um grito.
Duas colherzinhas de mel para a garganta que ecoa seu nome sem parar.
É outra vez, dia na imensidão do nada.
Água fervendo. Esqueci a receita da moça de azul para o chá.
Alguém aí tem café?

Mariana Gouveia
345. dos verbos indefinidos

344. dos verbos indefinidos

 

Querida Janes,

O dia estabelece a rota das chuvas. Te escrever  faz com que as recordações, ultimamente, surjam como se fossem filmes e apareçam em minha frente como se fosse hoje. Perdi a conta dos anos em que te amo.

Para meu olho você será sempre uma menina – embora mãe, mulher, coragem e força – meu olhar te alcança frágil e querendo abraço.
Me nomeou sua consciência e isso me leva ao grilo falante da história de Pinóquio. E você, a minha jane e eu, sua Tarzan.

Ali, além da janela, é como se os anos te fizesse minha filha. Porque amor assim, por alguém, além da pele e do toque é só mesmo para filha que a gente olha assim, com olho graúdo.
Quer saber a origem de sua fragilidade e ri. É gigante na força – embora não perceba – e abraça a guerra de todos e com isso esquece da sua próxima.
é a prova da fé – mesmo brigando com aquilo que acredita.
é personagem de uma história. A sua. Inigualável, de fuga, de chegada, de partida. De traços que só você sabe criar e enfrentar.
De esperança que só você sabe criar e ter.
E desse riso que me lembro sempre, quando penso em você.
É como se seu dia fizesse especial os outros dias e assim sendo, te abençoo em todos eles.

Feliz sempre, com força!

beijo, ooooooooooooooooo!

Mariana Gouveia
344. dos verbos indefinidos