Imenso amor

hot_by_GalaGankina

Em algumas
de tuas mais belas carícias,
sequer me tocaste…

José P. di Cavalcanti Jr.

*imagem: Gala Gankina

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Então, compreendi sua ausência

 

[…]
Ela é como chuva de verão, logo mais está indo embora. E eu nunca compreendi como ela podia ser assim, desapegada.
Com ritmo de mulher louca e desenfreada, nunca ficava. Até que a ouvi dizer:
” Meu amor, você tem um ninho pra onde voltar, pode ir, mas eu sou só eu, e minha casa já virou Hotel.”

– Rejane Leopoldino
*imagem: Mirjam Appelhof

Uma bailarina sem pés, uma ave sem asas.

Uma bailarina sem pés, uma ave sem asas

I

Cubro-te de beijos.
Percorro-te.
Desenfreadamente.
A maciez da pele, o respirar tosco, o olhar sibilante.
Sou das tuas mãos.

Do teu amor.
Aconchego-te a roupa, enrosco-me no teu calor.
Sou um gato, uma bailarina doida.

Uma bailarina sem pés, uma ave sem asas.
Sou do teu amor.

Deixo-me estar.

E um rio? um silêncio?

Uma forma de música invade-me o corpo.
Sou o sol.
E tu a luz.

II

Pinto-te as cores.

Peço-te os minutos, as asas e os pés.

Mio. Quero ser um gato.

Enroscar-me no teu calor, pertencer ao teu carinho.

Peço-te os minutos, as asas e os pés.

Sou uma bailarina, numa dança tosca, onde percorro a maciez da tua pele, onde me perco no teu olhar.
E sonho o sol. Os dias de sol ao quadrado.

Agripina Roxo

Teu corpo no meu, dança risos inteiros

 

no trago do espaço que em mim
abraço
engulo-te aroma,
sabor que és
assim.

e tenho-te inteira

no avesso
do espelho, claro,
do que sou
em ti.

teu corpo
no meu, dança risos
inteiros

sem ti ficariam
presos em lábios
alheios

de nós.

(abraço teus lábios.
meu beijo
tem sedes
de ti.)

rosa maria ribeiro
* Imagem: Laura Makabresku

Precisava entender-me.

Lilya Corneli22g

Acertar-me comigo mesma antes de deitar-me em seus lábios os meus. Precisava ouví-la por mais algumas horas para saber como as palavras se organizam em sua superficie. Precisava organizar-me para esparramar-me junto a ela sem que ela mesma precisasse fazê-lo”

.

– trecho do livro lua de papel

Lunna Guedes
*imagem: Lilya Corneli

Hoje, a saudade de ti:

Hoje, a saudade de ti

punhalada
de tinta muito branca,
o cheiro do que é novo, o cheiro da
doença a alastrar
Se estivesses aqui, dirias o meu nome
corrigias-me as coisas, e tudo estava
bem, mesmo que dentro de sentido
opaco
A tinta muito branca, o cheiro
que é do novo, aqui deste café,
corrigem-me a memória:
o cozinhares tão mal, a desarrumação
em tantos cantos, os nomes que criavas
para chamares as coisas
outra coisa
E os pedidos depois,
súplicas do silencio e do não choro,
tenacidades de viver igual,
e não ceder tanto – e não ceder
Hoje, em tão grande saudade,
minha amiga,
nem sei o que me resta:
Sonhar com o telefone a tocar,
e a voz,
ou eu a corrigir-me o hábito
do número –

Ana Luísa Amaral
*imagem: Tumblr