119. dos dias aleatórios de Abril

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Se sentiu a moça mais linda do planeta. Vestiu aquela alma que ganhou de presente.
Havia flores em tudo quanto é parte.
E aqueles caminhos do país que sempre quis visitar, estava lá.
Foi levada pela mão e no coração. Conheceu cada cantinho… e ela era parte da paisagem como se sempre tivesse morado ali.
A paixão visitava o jardim em delírio de flor.
Havia cartazes de felicidade em todo tempo e os corações sorriam para fora do corpo.
A canção que falava de lua refletia na palavra amor.

E ela não sabia mais onde derramar tanto encanto.

Mariana Gouveia
119. dos dias aleatórios de Abril

O teu colar de contas

O teu colar de contas

De lágrimas
Um rosário
Translúcido

Cristalina a Fé
Que direciona

O teu olhar
Ao céus, ao voo
Mais alto
Horizonte

Um colar de contas
Um rosário de mil voltas
De mil lágrimas
_Milagres
Nos lábios um mantra.

Sarah Lisa Köe
*imagem: Tumblr

118. dos dias aleatórios de Abril

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Definhava nas horas do dia, em frente a casa abandonada da rua lateral. O abandono era costume nas noites em qua fazia sol.
A grama fazia colo para os contos de fadas, escritos nas horas de insônia.
Os sons dos carros e suas buzinas e a cidade silenciosa diante das coisas.
Os jornais contavam histórias que alguém inventou. A sorte é tirada na sorte de quem acreditava em figas.
Alguém tentava adivinhar qual futuro ficou no meu passado. A mão única não pertence na velocidade das coisas…
Tudo se definia dentro da lógica do tempo. Havia um modo solitário de enxergar presença na vida do cão. Quando ela me escreveu, me desenhou na porta errada e eu virei retrato preto e branco na paisagem.

Mariana Gouveia
118. dos dias aleatórios de Abril

117. dos dias aleatórios de Abril

117. dos dias aleatórios de Abril
A neblina esconde as flores que nascem.

Da esquina, se vê apenas a solidão. Um gato no muro, um pássaro na árvore que ainda não amanheceu…
O vento faz com que o frio pareça mais do que está.
O homem da reciclagem com seu gorro de sempre – faça frio ou calor – com o emblema do time preferido, a empurrar a carroça cheia de garrafas pet e a melodia de todo dia a ecoar nas ruas do meu lugar.
Ele cantava a vontade de voar e de quanto as ruas o enchia de paz…
” eu uso os poemas para saber…”
e a folha que caiu tudo no dia seguinte era galho seco hoje…
A garoa dançava na luz difusa do poste e a lua era apenas um risco no céu.
Enquanto todo mundo desejava a liberdade de ontem e acreditava na injustiça de amanhã, eu apenas caminhava contra o vento e o frio.

Mariana Gouveia
117. dos dias aleatórios de Abril

116. dos dias aleatórios de Abril

116. dos dias aleatórios de Abril. dos dias aleatórios de Abril.jpg

Há dias em que acontecem milagres – aquele mesmo que o homem de ontem buscava e ria do destino brusco de ser leve – e que aparecia escrito no envelope pardo nas mãos.

E que depois disso contava histórias de imensidão de rios onde se perdiam nas ribanceiras onde nas margens os pássaros cantavam rotinas de florestas de histórias de ler… e as cachoeiras cantavam o chuá, chuá e as aves eram parte do cenário que ficou guardado…

Há dias em que alguém chora de dor e conjuga os verbos no passado, só para respirar o ar que falta e as canções gravam na mente o instante simplificado no refrão.
(chuá… chuá…)

Há dias em que sonhos se realizam e as testemunhas registram momentos que a memória desenhará para o resto dos dias e será contados em cada reunião que mais de um se lembrará e confirmará presença e a pergunta ecoará: você se lembra?

As gaiolas se abrirão e o que era preso voou… e as cartas eram escritas no modo antigo, e os envelopes decorados com cores que celebrava a amizade.

Os corações, nesses dias, se encherão de esperança e os corredores ganharão as cores da cura e a ave verá na poça da chuva um rio fácil de atravessar.

Haverá dias assim. Houve.

Hoje.

Mariana Gouveia
116. dos dias aleatórios de Abril

Naquele rio

Naquele rio


Bebi da água daquele rio, onde a felicidade passava dentro
bebi o céu
bebi o azul
e os sons de todo aquele céu
bebi da chuva naquele rio
bebi as nuvens
e os infinitos
as auroras
Bebi o por do sol
naquele rio
bebi a sede
e a saudade
bebi os estrelas naquele rio
bebi as luas
e os labirintos
as tristezas
Bebi esperanças, bebi arco íris
e a saudade
os infinitos
Todos , todos eu
Bebi
Ali
.
Elke Lubitz
*imagem: Mira Nedyalkova