Gástrico

Alex Mire*imagem: Alex Mire

Me deu uma poesia no estômago
Borboletas não
Uma pedra
Uma não Trinta e oito

Um trinta e oito
Enferrujado
Ainda atira
E se chama medo.

Adriane Garcia

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Artesania

11062656_835930476462821_4461284841731761762_n*imagem: Tumblr

montada no lume
das horas vadias
ela segue
:
o percurso
o compasso
a lida
.
.
.
percussão
persuasão
repercussão
.
banida
de toda vergonha
lambe versos
tece descomposturas
costura palavras
e disseca poemas

 

Bianca Velloso

Andou guardando estrelas por brincadeira

Andou guardando estrelas por brincadeira

Redigiu o horóscopo do dia. Alternou a imensidão das coisas. No alinhamento dos astros, chove hoje.
A moça do tempo avisa: leve seu guarda-chuva.
Júpiter causa uma mudança interestelar. Pode se apaixonar de novo. Prefiro não dizer a palavra cuidado. Qual seria seu signo no horóscopo chinês?
O período da tarde pode haver mudanças. Realinho os astros no papel. A carta da lua teima em sair. Mistérios no ar. Ciclos. A vida não é feita apenas daquilo que podemos tocar. Nem ouvir. Nem ver. Há dimensões de estrelas na minha mesa. Números rodeiam meu destino de hoje. Ontem presenciei a queda de um mito. Já não há heróis para se espelhar.
A menina da mesa ao lado me pressiona com verdades que ela mesma não aceita. Recorta a parte que fala de seu signo e guarda. O dia de hoje é para ficar marcado. Relembro que há uma coisa chamada esperança.
Na previsão do dia há poesia. A voz dela lembra qualquer coisa de fada.
A lua em Peixes enfeita o dia.
Alguém compra o jornal e lê. Suspira e conhece a palavra vontade.

Mariana Gouveia

what a sweet lullaby

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Querer,
quero uma canção
sussurrada ao búzio do meu ouvido
um murmúrio apenas
sem penas,
palavras nenhumas.

Querer,
quero o teu cheiro
depois do amor,
o teu hálito morno,
verão do meu passado
perdido no limite do mar
a embalar – me o corpo até o sono.

Raquel Serejo Martins.
In: Aves de Incêndio – pág. 14
*imagem: Natalia Deprina

Subversiva

subversiva
*imagem: Tumblr

Vive de flor.
Come a espécie e grita a fome.
Adoece por falta de seiva – a dela –
Clorofila pura do sentido de ser natural.
Ama.
Por dentro, flor espalha em tudo que é canto.
Veia, sangue, ar. Respira jardim.
No sentido pleno da frase.
Dentro dela germina vontades… da essência dela em todo lugar.
Reage quando muda de espaço.
Trepa no limite do que pode sugar.
A história dos outros dentro da sua.
Subversiva, vive de flor.
Por que, só assim, pode viver.

Mariana Gouveia