Quase que metade coração

quase que metade coração

Vasculhei meu guarda-roupas atrás dos cheiros dela que ficou nas minhas roupas.
As gavetas, desarrumei…Na estante o vidro de perfume com a essência me fez lembrar uma canção.

Procurei por ela nos lençóis, na fronha do travesseiro. No sabor da comida na geladeira.
O vazio dela preenchia minha tarde e ela existia nas poesias que eu lia.

A cama parecia imensa, gigante sem o corpo dela ocupando espaço, ganhando abraços de mim.
Nos silêncios da tarde ela se fazia presente e eu podia ter vivido mais. Podia ter pedido mais, exigido presença. E hoje, talvez, essa saudade seria amena. Ou não…

Tal qual louca eu vasculhava tudo atrás de lembranças. Revirava as dos pensamentos, das palavras ditas, dos beijos molhados, das mãos que buscavam em mim os prazeres mais intensos, mas profundos que senti.

Eu a encontrei na vastidão das horas, da voz que insistia entre o sotaque me dizer de amor.

Queria buscar com a boca as palavras que falava pra dentro de si,e as que não ousou dizer.Queria matar essa fome dela,essa sede da umidade que rodeia.Na chuva que chovia em mim.

Eu a encontrei no espaço vago entre uma folha que caía quase que metade coração e compreendi a dimensão do sentia.

Metade de mim vive nela.

Metade dela vive em mim.

Mariana Gouveia

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