# extratos

#extratos III

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Às vezes ouvia músicas que trazia momentos. Meio relicário, sei lá…O rádio tocava a canção e ela queria dançar.

Também usava palavras que não eram suas para dizer que a amava. Palavras da própria canção que ouvia e que ela queria dançar.
Era um desejo secreto.


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E o silêncio tomou conta de tudo. Ao percorrer os aposentos nesse dia buscou ela em cada canto.

O espelho mostrava a estranha em que ela mesma havia se transformado.

Não havia mais música tocando.

Só o vidro vazio do seu perfume continuava a exalar a essência que ela tanto buscava nos lençóis,no travesseiro.

 

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E havia ainda o sabor da sua pele, a textura, aquela maneira de apenas fechar os olhos e tocá-la…quase sentia o gosto.

 

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Chovia. Chovia sempre. E as palavras dela sobre a chuva ecoavam por ali…

e a maneira como ela lia Maria Teresa Horta ficou registrado: Ah, essa Maria Teresa!

 

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Também sentia a sua falta:  a suavidade plena de pensar nela ali.

bebia o café junto com ela. Era assim que o dia começava a ser lindo.

 

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Um dia,o rádio tocará a mesma canção e ela estara ali ao alcance dos beijos e das mãos.

 

Mariana Gouveia

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