Tempos longos…

tempos longos

No armário de comida, os grãos organizados em cromática escalação. O gato quase aprendendo a falar ou eu a miar.
Uma fornada de biscoitos esfriando sorridentes no fogão. Atravesso o corredor de olhos fechados julgando um feito chegar até o quarto sem dar nenhuma topada. Na quina da porta um Louva-Deus gesticula admiração. Um quadro pensa o sol preguiçoso entardecendo jasmineiros e as nuvens formando borrão. De perto tudo é tão maior… Um distinto inseto se apresenta ao nariz do cão. Cinco Beija-flores arruaçando, bem uns seis Bem-te-vis voando e um Canário triste na gaiola do Alemão. Um ensaio de voo na sombra dos braços abertos e fico gaivota. A joaninha apressada na pétala, quer conversa não.
A vida espia a tudo com suas absortas sobrancelhas.

Zidna Nunes

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