não havia código a decifrar nada.

não havia código a decifrar nada

Perto da janela desejou voltar no tempo, costurar pedaços pequenos de lembranças na memória.
Sentia que esquecia, às vezes, as sensações que viveu.
Tocou o céu com os olhos. Lembrou das chuvas. Mexeu nas anotações da mesa. Sentiu saudades.
Nos canto do lugar o cheiro. Como um arqueólogo vasculhou antiguidades dentro dela.
Pele, toque, mão. Os sentidos aguçados no instante de amar.
Ela, artista, quando a amo.
Desenho de partituras em seu corpo.
Um modo de amar é assim. Na loucura que herdou.
Em silêncio e cansaço. Em guerra e paz.
Da pele, a palavra.
De um dia que se abria
não havia código a decifrar
nada.
Era apenas ela e mais nada.

Mariana Gouveia – Divã
*imagem: Tumblr

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