Onde e que viagem faria com minha palavras?

Onde e que viagem faria com minha palavras.
Quando entro ela já está.
Anota.
Parece que conta meus passos.
Prefiro ficar em pé, perto da janela, onde as lembranças me vem primeiro com as essências na pele, na alma.
Depois, ao poucos vou falando de coisas mais palpáveis. De toque de mãos, de sensação de pétala, de texturas.
Falo de saudade, de vontade. De querer. E do que fazer com esse querer que queima, sopra e me arrasta em um furacão que não há. Mas, que existe em turbilhão dentro de mim.
Daí, fico em silêncio, enquanto percebo que ela relê o que escreve e anota suas conclusões.
Chego a pensar em arrancar os pensamentos dela com as mãos.
Onde e que viagem faria com minha palavras?
Pede que eu fale mais da flor. Fecho os olhos e a sensação que tenho é que está bem ali, ao meu alcance os aromas todos dela.
Jeito suave de ser flor. Jeito instigante de ser espinho. De me alcançar em qualquer canto que andar. Que me vasculha sentimentos e me derruba com um sopro.Tomo posse. Me transformo em jardineira e suspiro. Ela ri. Anota.
Talvez até tatue na pele, a flor.

Mariana Gouveia
*fotografia: Anna O.

 

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