quero saborear o infinito

a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis

Tu disseste “quero saborear o infinito”

Eu disse “a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis”
Tu disseste “sentir a aragem que balança os dependurados”
Eu disse “é o medo o que nos vem acariciar”
Tu disseste “eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a transpor o limiar da porta”
Eu disse “acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala”
Tu disseste “um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir”
Eu disse “…”
Eu disse “o que é que isso interessa?”
Tu disseste “…nada”

Adolfo Luxúria Canibal

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