O necessário é voar

O necessário é voar

A tarde chegou ligeira.
Era proibido esperar.
Ficava ali avisando o voo do pássaro e repetindo gestos do passado.
Amanhã ela vem – dizia entre a angústia da espera e a certeza de que erraria – de novo.
Ontem esperou o gesto da fruta. Respirou a gota que não choveu. Bradou junto com os trovões a fisiologia da falta.
Gritou o nome dela de novo.
Era preciso vigiar o voo…quem sabe, amanhã o destino muda.
O mês é outro e há expectativa da lua.
Um decanato inteiro propício à asas.
Revolta-se no amor que enviou. Feito envelope com fitas. Tudo da cor que ela gostava. Até de azul pintou o céu. Esparramou tempestade no sopro.
Alguém avisa que já é hora de ir.
Muita confusão no fuso do dia.
Já foi essa mesma hora em outro lugar.
Abriu um portal na dimensão do agora.
O necessário é voar.

Mariana Gouveia

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2 comentários em “O necessário é voar

  1. Poema é feito loja de doces. Quer dizer, prá mim poema é feito loja de doces. Sempre tem um que chama a atenção. O poema, esclareço. E tá, o doce. Daí que adorei a imagem: “Um decanato inteiro propício à asas”. Boa a sacada. Doce. Já te falei dos doces?

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    eu quase visualizei aqueles potes grandões com os doces coloridos.
    Se bem que eu adoro pé-de-moleque.
    Gosto mais das cores do que dos doces. Levaria um de cada só para ficar ali, interessada nas cores.
    Um decanato propício aos doces…
    Comentário mais gostoso de ler.

    Grata!
    Aproveito para dar meus parabéns pelo título.
    merecido!
    beijo

    Curtir

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