por dentro das minhas vontades

por dentro das minhas vontades.

Encontrei-a  numa dessas noites de estrelas

num desses encontros que os pensamentos causam e que você passa a vida toda jurando que viveu.

Eu ri:

Ela deixou os braços abertos como se convidasse para o abraço…

No turbilhão, tremi…

Fez as perguntas de praxe sobre o tempo e o calor aquecia a alma.

Como na noite as estrelas brilhavam,

no acaso caminharam.

E o acaso levaram elas a se encontrar.

Não sei se havia conjunção entre signos ou mapa astral.

Só que ela estava ali.

Onde trocando vidas riram do sotaque, das palavras

E riram dos medos e das perdas

e riram do encontro, do destino…

do tempo que tanto desejou aquilo…

Das esperanças e das desilusões.

Eu pensava nas palavras.

Ela me dava o mar.

Trocaram também silêncios…

e foi o silêncio mais barulhento que houve em toda a vida.
E a vida,

não é só feita de palavras.

Mas de ansiedades, de mãos. De boca…

De dar tempo.

De saber esperar.

Ela disse:

– Anoiteceu, a lua foi embora!

Ela respondeu:

– Pedi hoje à lua o brilho como te tinha prometido. Deve ter se envergonhado…Hoje, o brilho é seus olhos.

E juntos viram a madrugada acordadas,

Onde o silêncio era feito de suspiros.

Ela, de brilho novo no olho e um sorriso que ria

Ela, de mãos que conhecem caminhos.

E a noite era delas, porque era uma noite única, prometida

Porque era a noite  rindo dela mesmo e vivendo sonhos de vida inteira.

Rir da vida.

Porque era a noite de soltar voz,

gemer gozo e de dormir no calor no braço.

E a madrugada parou para ouvir o canto.

E os pássaros dela estranharam o encanto.

Quem ousava quebrar o silêncio do quarto que vibrava, sentia e gemia?

Quem se erguia na estrela que ardia que separa o sonho do real,

entre a vida igual e a vida que sonhavam?

“Ela de  novo, achava que era sonho.”

E no dia seguinte a cidade viu em cores,

no vento parado que agitava as folhas.

Ela de azul e areia nos pés.

Ela, uma sereia. Pele de mulher.

Palavras

inauditas…sussurradas.

Nunca se soube quem tirou a roupa que vestiu.

Quem no banco do acaso ao acaso se sentou,

nem quem com um passo abriu a cortina do prazer.

Nem quem parou o vento e fez ele agitar

nesse momento ela sabia o que era viver

e morrer de amor.

Mariana Gouveia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s