Quase alquimista

Mariam Sitchinava

Ela tinha as mãos pequenas pra carregar sonhos.
Quase alquimista ela sabia misturar sabores
 
O café tinha gosto de amor.
Se é que se pode ter gosto o amor, que seja o dela.
Xícaras, coração…riso.
 
Acompanhou-me num almoço simples, desses, que escritos em livros parece delicioso.
 
foi a primeira refeição juntas – ela não falou. Eu pensei.
 
Experimento um silêncio com gosto dela.
A essência que sai das letras de um livro. Inquietude. Cúmplices.
 
O relógio corre com a imprecisão do tempo. A conexão falha. Fumaça.
 
 
Ela tinha as mãos pequenas e me deu fragrância…de amor.
Perco-me horas seguidas diante do teu retrato. A menina ri. Gargalha.
E de repente vira mulher. A minha.
 
Mãos estendidas. Toque. Cheiro no ar.
Experimento desejo com fome dela.
Quase alquimista, ela tem o dom de temperar em mim esses sobrevoos de alma.
 
Experimento a voz…E convido-a para a minha cama
Convido-a a tornar-se tocante…
E quando vira alquimista faz a a fruta virar cor.
 
E sob a forma desejada numa ternura quase impossível
de suportar.
O amor faz-me recuperar incessantemente o poder da
provocação. E assim faço arder nas mãos como quem carrega sonhos,
o amor.
 
 
Mariana Gouveia
 
*imagem: Marian Sitchinava

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s