Conhecia tão pouco do olhar dela…

Conhecia tão pouco do olhar dela...*imagem: Tumblr

Mas a voz…
A voz conseguia decifrar em tempo, instância e conjugações verbais todas.

Sabia de cor o dialeto dela. A linguagem do mar. De amar.
As gírias que causava arrepio na alma quando ela falava.
Mas ela não sabia
nem atrevia a dizer.
Era como se precaver da loucura que antecipava nos dias.

Mas a voz, conhecia os rumos,
os assuntos repetidos em um ciclo impulsivo de querer ver.
A pausa que fazia entre um assunto e outro.
Até mesmo o silêncio e o que ele queria dizer.

Conhecia os mapas que as palavras dela levava.
A canção repetida pela maresia e o desejo atento no falar.

Conhecia tão pouco o olhar dela…
coisa de quinze dias navegou no mar cinza denso…

Depois era só palavra e voz…
da voz conhecia tudo.
Os acentos, o acordo ortográfico que não morava ali.

E era ali, na voz dela que mergulhava na vontade absurda de viver.

Mariana Gouveia

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