Loucure-se

loucure-se

Diziam que sofria de loucura crônica – alguém sempre fazia questão de ressaltar isso – nunca fez nada para desmentir.
De vez em quando, tomava lucidez fora de hora.
Tinha medo de não viver as histórias de amor que lia nas bulas disfarçadas de livros.
Ria quando lembrava dela. A buscava nos romances que lia. A cantava nas canções de amor.
Lembrava do dia em que estivera nos braços dela.
A madrugada, a partir daquele dia, passou a ter sentido. E as coisas ganharam o encantamento que eu via nos olhos dela.
Um dia, a loucura materializou-se em gestos e um mês qualquer tornou-se um de um vazio profundo.
Uma mistura do enlouquecer e da busca, sintetizou a falta.
Nunca mais soube dela. Mas, todos os dias lê as cartas, o horóscopo, o tarô…
Procura uma cigana que leia em sua mão a doce felicidade da volta.
Na mão, a linha do destino liga sua vida à dela.
Escreve poesias para não enlouquecer de saudades e cuida do jardim, apenas por desacato à flor.

Mariana Gouveia
*imagem: Tumblr

 

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4 comentários em “Loucure-se

  1. Lunna Guedes disse:

    ah que delícia essas suas linhas. Enlouqueci aqui. rs
    bacio amore

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cris Campos disse:

    Genteeeeê que tudo esse texto! Mas o final… demaisdedemais de belo…

    Curtido por 1 pessoa

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