voo

Duy Huynh-001

Desenhou estradas para a viagem dela. Tomou cuidado ao espalhar paisagens. Alguém falava da vida, de sopro.
Ela pensou que algumas viagens são mais partidas do que chegadas.
Colocou um riso disfarçada de trevo na primeira sorte. Foi quando os olhos viram além do físico. Da alma. Dali, viajante, tinha distanciamento das coisas. A viagem era para distrair letras. Rever romances onde se perdia dentro dos dela.
Cidades, trocas. Solidão dentro do nada. Montanhas. Ar rarefeito dentro do peito. Olhares se cruzam, se desviam. Vozes e palavras perdidas no meio do nada. Parada.
Quando a cidade termina começa um nada. Nessa hora, o cenário muda. Dimensões do desenho dentro dela.
Floriu. Pela mão de alguém que desenhou a viagem, floriu.
Ficou ali entre o desenho e a miragem sendo.
Poderia ouvir jazz – ou rock, bebê ! –
e não tocava nada.
Quando percebeu já nem era chegada nem partida.
Era apenas voo nos olhos dela.

 

Mariana Gouveia
In, O Lado de Dentro – Segunda Edição
*imagem: Duy Huynh

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4 comentários em “voo

  1. Cris Campos disse:

    Despedaçou tudo aqui querida. Assim não aguentoooo.

    Curtido por 1 pessoa

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