nunca te sei a cor da roupa.

Rafal Oblinski*imagem: Rafal Olbinski

nem sei se te enfeitam os colares. pouco me importa a altura da saia ou até mesmo se o decote dessa blusa se abre um pouco mais aos olhos de quem passa. é o teu corpo que abraço, mesmo longe, mesmo cego. esse que sei na memória dos dedos e dos cheiros. nada mais trago ao encontro do meu peito mesmo que o frio seja a taça que se erga na mesa em que te deito e me aconchego.
conheço-te os degradés na planície do teu corpo. as faces rosadas e a lividez. o espanto e o riso. os sinais, em todos os lugares. as datas de todas as rugas. que vejo desenhar.e percorro com os dedos os rios que nascem na tua pele, devagar. até ao fundo do mar. onde nos deixamos afundar. contei até 551 os teus cabelos de prata. e desisti. conto os pretos à espera de os ver partir.
gosto tanto do que sei de ti. para que hei-de saber dessas coisas que só os outros julgam saber na aparência de te olhar?

Rosa Maria Ribeiro

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2 comentários em “nunca te sei a cor da roupa.

  1. Lunna Guedes disse:

    amei esse texto, vesti tão completamente… que o sorriso se liquefez
    bacio

    Curtido por 1 pessoa

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