Há uma mulher dentro de mim

Há uma mulher dentro de mim

que não é gramática decomposta nem acento circunflexo.
Não é metáfora exagerada, nem vegetação espessa no limite da vírgula.
Não é anáfora suada, nem rigor maiúsculo no recuo do parágrafo.
Há uma mulher dentro de mim que não é periferia nem superfície transversal.
Essa mulher que não outra mulher, esmaga-me as telhas no tecto da boca.
Tenho-a calada e encavalitada debaixo das palavras mais fáceis de carcomer.
Tenho-a cansada e regrada por cima das feridas menos custosas de sarar.
Mas essa mulher que dentro de mim não me permite outra habitação que não esta,
não me serena a vontade áspera de romper a madeira dos braços,
de moer do úmero a lasca e da acha articular outro galho maior.
Há uma mulher dentro de mim que não me reconhece como sua.
Há uma mulher dentro de mim que míngua encolhida no cavo do medo.
Há uma mulher dentro de mim que ama uma mulher insuficiente de si mesma. 

 Alice Turvo
*imagem: Tumblr

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s