não só de café vivem os loucos.

 

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– “Estás doido? Todo o teu mundo está a ruir, a partir-se, e tu estás à procura de uma palavra?” Depois, percebi que estava certo – é necessário insistir na fiabilidade das palavras. O mundo parecia um erro terrível, mas se eu encontrasse a palavra certa, então encontraria uma coisa certa num mundo que tem sido errado. 

David Grossman

Querida Luci.

Depois que te abracei de tão perto que senti seu coração, que fluiu ao som do meu, nunca mais nos falamos – mas te acompanhei – e hoje resolvi escrever as vontades dentro de palavras que a gente come como se fosse morrer de inanição.
Acompanhei seus passos pelas asas de seu pássaro, pelo caminho que você cruza com seus cães e até os que não são seus.
Vi tua “rebeldia” através do grito e te vi sorrindo dentro do olho de tua menina.
Luci, as coisas aqui estão de ponta cabeça…e a gente fica tentando se manter em pé e sorve a loucura toda manhã. Nem só de café vivem os loucos…eles vivem de rompantes na imaginação…
O sol, escaldante me faz desejar que o café venha gelado e a menina que serve o líquido que amo diz: tome sorvete!
Sorvete são para momentos doces e confesso que ultimamente de doce a vida não apresenta grande coisa.
Estou sempre onde não queria estar e voando através do oceano enquanto sempre canto o parabéns quando respiro, pah, outras aragens.
Os loucos não vivem só de café, Luci…Vivem de poesia e bebem todos os dias a palavra dentro da loucura e se você soubesse o que anda a acontecer por aqui, beberia o seu tão famoso “ fora temer” – me recuso a escrever essa frase dentro dos padrões normais das regras ortográficas, Luci – mas eu brigo por causas menores. De quem já sofre tanto preconceito e perdeu tanto dentro dessa mudança absurda que me atrevo apenas a acreditar que tudo isso vai passar.
Descobri nesses dias que a saúde é o bem mais precioso e se perdemos isso somos pobres, mas tão pobres que nem ajudar alguém, podemos. Por isso, Luci, coma…não se deixe abater pelo processo que está por aí…precisamos de guerreiras como você, que embora suba degrau por degrau, faz uma diferença que não tem noção.
O café me acorda, às vezes, e em muitos momentos eu fico a noite toda dentro das horas e além do café, sorvo a delicadeza que o céu me oferece.
Ainda estou a marcar os momentos, Luci e assim que for possível, te trago para te ver rir entre as vielas do lado antigo da minha cidade e ver meu Chiquinho chiar nas madrugadas.
Ainda vejo você entrando dentro do meu abraço, sorrindo e a vida me dando o prazer de saber que já te abracei em outros tempos.
Abracei sim!

Beijos

Mariana

Esse post é parte integrante do projeto ‘missivas de primavera’, que conta também com os autores:

Adriana Aneli: http://www.adrianaanelicosta.com/
Lunna Guedes: http://catarinavoltouaescrever.wordpress.com/
Chris Herrmann: http://www.christinaherrmann.com/
Tatiana Kielbermann: https://meusabismosfaceis.wordpress.com/
Manogon Manoel Gonçalves: http://coisasdemanogon.blogspot.com/
Emerson Braga: http://embusteiroviajante.jimdo.com/
Ingrid Morandian: http://www.facebook.com/ingrid.morandian/

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