Septum – Outono

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” A esperança é uma lanterna dependurada nas costas
que apenas ilumina o caminho já percorrido “

                                                                                    Confúcio

É madrugada e eu me sinto só…completamente nua. E me vejo obrigada a vagar pelos espaços vazios deste lugar que sou. Esgotei as xícaras de chá. Li todos os livros que encontrei na prateleira. Assisti todos os filmes antigos que compõem minha lista de favoritos… e percebi nesta quarta hora… que não me resta outra coisa – apenas esta narrativa vazia… ou seria de inundação?
… alguma coisa transbordou aqui dentro e não deu tempo de fechar as comportas. Sinto-me a inundada por essa necessidade conhecida, tão antiga quanto eu.
Eu sei o que quero e preciso… mas ainda me recuso a este testamento em vida, porque escrever – para mim – é um ato de morte.
Você escolhe as melhores palavras, forma as frases com todo cuidado, tentando a sonhada perfeição.
Escolhe o que fica e o que parte. E no fim… não consegue um texto que agrade aos olhos – primeiro – e ao cuore depois…
E o que sobra disso tudo é a decepção que te encara de frente. E você não encara de volta. Recua. Amassa a folha entre os dedos e sai para andar entre os cômodos da casa – suportando em teus flancos o sabor amargo do fracasso.
A escrita exige doação, entrega, rendição… não basta o imaginário. Ela quer também a realidade e todos os desconfortos. Recusa o futuro, como se fosse um insulto-desaforo-afronta. Ela quer apenas o teu passado-presente. O teu melhor… e você sabe que é impossível se deitar sobre o papel sem render-se de corpo e alma esta simbiose indecente entre vida e morte, morte e vida.
As palavras são pontes…que nos ligam ao abismo que somos. Escrever é percorrer esse caminho frágil e perigoso… apenas de ida, nunca de volta.

 

Mas sem um mapa em mãos,
como saber o destino?

 Lunna Guedes
Diário das quatro estações – Septum – outono
Pág: 64
*imagem: Tumblr

A bússola me mostra a direção ao norte/sul/leste/oeste e daí, volto ao mesmo ponto de encantamento marcado no mapa. Mas que mapa? Septum nos faz perder a direção entre a vontade e o desejo de ler e embarcar dentro de cada estação.
Septum é a âncora que dá segurança e ao mesmo tempo, o vento que sopra e arrasta.
Não é magia…é bruxaria.
Septum te direciona e te faz perder…
e assim, te convido a se deixar levar…
Você pode adquirir aqui o mapa que te levará pelas palavras de Lunna Guedes.

5 comentários em “Septum – Outono

  1. mariel disse:

    Em todos os lugares da gente, só podemos encontrar o destino depois de perdermos os mapas.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    Cheguei a conclusão que fico bem melhor aqui.
    Fico sim. rs

    Curtido por 1 pessoa

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