34. das palavras das cartas

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O envelope que chegava era laranja e as letras corridas como se tivessem pressa de chegar.
Havia desenhos floridos na linhas que se misturavam aos corações onde se entrelaçavam vontades.

Os risos, pareciam vir junto e a brisa suave das ruas da cidade, do rio que circundava a pequena floresta de eucaliptos e outras árvores do lugar – o cheiro – dançavam na imaginação como uma folha solta no ar.

Falava dos detalhes da vida, da rotina. Do jornaleiro do qual sabia o nome, até a história dele me contou – e parecia que eu também o conhecia – dos nomes dos filhos.

Dos tsurus que delicadamente adornavam o céu do seu quarto, todo lilás e da janela podia ver o pé de lanterna chinesa que a vizinha plantara e oferecia dezenas de flores no canto do muro… iluminando o dia com seu laranja – e repetia a frase da canção de Gadu – que me faz ficar bem mais. A flor parecia que tinha a energia de acordar a alma, mesmo depois de um dia frio, um dia triste.

Assim, em cada mês, a delicadeza vinha em cores e versos. Uma tela de arte colorida de carinho, recheado de palavras que abraçavam e coloriam o dia.

Mariana Gouveia
34. das palavras das cartas

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4 comentários em “34. das palavras das cartas

  1. Triccia Araújo disse:

    Que imagem linda esse texto desenha… uma pintura de delicadezas! ❤

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    deu vontade de dobrar papéis e confeccionar um tsuru… ai ai ai

    Curtido por 1 pessoa

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