39. das palavras das cartas

Havia um pássaro a derrubar paredes – era o ninho vazio e a solidão da asa enquanto chovia.

O gesto da noite de fechar as portas era ele quem fazia. Ficou vazio o canto onde ele dormia.

Nem cabia ninguém nessa ausência. A casa continha presença em todo canto.

Arrastei o tapete pela casa. Tentei vencer as horas dos lugares mortos. Um telefone toca ao longe e alguém grita. O cão late na ansiedade de um portão que não abre.

As gotas que aliviam as dores dentro do chá. A rotina do tic tac do relógio da sala. Fazia tempo que não chovia dentro de mim. 

Respirar é um ato difícil dentro dos corredores. Nos muros, os grafites quase apagados – havia uma declaração de amor descrita na carta – e o pássaro invade o dia com seu canto.
Mariana Gouveia

39. das palavras das cartas

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2 comentários em “39. das palavras das cartas

  1. Lunna Guedes disse:

    o bom de se ler e uma só vez os escritos é que a viagem é mais longa e as estações da alma, do corpo, da memória são muitas e vou parando em cada uma delas. rs

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    Isso sempre acontece quando penso em você…
    Bacio

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