47. das palavras das cartas

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Vim aqui dizer que aprendi a absorver as flores do campo e que durante a noite, quando o silêncio grita dentro de mim e a vontade de voltar atrás e abrir a porta que eu mesma fechei é maior do que a saudade, eu volto para um campo imaginário.

É lá que grito seu nome infinita vezes e choro.

Às vezes, ouça uma música lá fora. O homem da reciclagem canta uma canção de amor rua afora… faço comparação entre a voz dele e a sua. Acha que posso confundir?

Busco o baú de lembranças e está lá o sol, a lua e as três graças do poema torto, dos deuses mitológicos que a história nos contou.

Há também na caixinha ao lado meus comprimidos coloridos que parecem bijuterias – tiram as dores,aliviam a alma – fazem com que eu te conte as histórias que não viveremos, levam meus braços aos ventos como se fossem abraços.

Aprendi a olhar a noite como se fosse um campo de flores e lá no fim da paisagem, você, dentro do meu amor.

Mariana Gouveia
47. das palavras das cartas

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4 comentários em “47. das palavras das cartas

  1. Lunna Guedes disse:

    Gosto imenso de ler-te e ficar do lado de cá a imaginar-me em teus passos, acenos, olhares, lugares. É minha generosa fatia de paz.

    bacio

    Curtido por 1 pessoa

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