52. das palavras das cartas

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Depois da chuva aquietou-se o vento.
Nasceu uma vida na esquina. O homem que domina o trânsito cantou.
Uma pessoa falou de muros e eu lembrei do grafite apagado na rua de cima.
O pássaro de todo dia fez rasantes dentro da chuva. O jardim cercado perdeu as folhas por causa dos cães.
Mais uma vez o mito é desmitificado. Nenhum herói dura para sempre. Nem te contei a história dos versos que eu declamei enquanto a vida nascia, ali, entre flashes curiosos de celulares gravando a vida que nascia.
O dia mudou dentro das rotinas e as flores caíam em desatino no quintal. A chuva clareia a maresia nas calçadas. No lugar do coração, o mar e sua sede de estar, preenchendo o tempo de vida de quem nascia.
As lanternas iluminaram o dia diante do susto. Ganhou o nome de flor como homenagem ao santo. Dediquei as palavras das cartas no caminho onde respirei quem nasceu sob meu olhar.

Mariana Gouveia
52. das palavras das cartas

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2 comentários em “52. das palavras das cartas

  1. Lunna Guedes disse:

    Só consigo respirar fundo e como quem reza, dizer amém.

    Curtido por 1 pessoa

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