61. da estação das águas

Dos dias que chovia gostava do barulho da chuva no telhado. Parecia um mantra entoado pela natureza.

Gostava também das brincadeiras com os irmãos. Faziam cabanas debaixo da mesa… o lampião a iluminar a noite. Os vultos a relembrar as histórias do pai sobre assombrações… Um a um tentando parecer que não tinha medo das coisas.

Os grilos, em algum lugar a tocar sua melodia.

Lá fora, os raios a cortar o céu. A mãe a contar histórias que lia nos livros.

Um bolo a assar no forno e o chá de erva doce a exalar perfume do instante marcado para sempre – todas as vezes que o cheiro, de uma forma ou de outra invadia os lugares onde passava – e por isso, adorava os dias de chuvas e hoje, dentro da estação das águas, as lembranças traziam saudades.

Mariana Gouveia

61. da estação das águas

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4 comentários em “61. da estação das águas

  1. Maria de sa disse:

    Um momento de escrita em que o narrador nos deixa o modus vivendi de tempos da sua meninice .

    Eis a frase mais tocante” adorava os dias de chuvas e hoje, dentro da estação das águas, as lembranças traziam saudades.”

    Maria

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  2. 0819claudiacap disse:

    Assumo que sou glutona, só pensei no cheirinho do bolo e do chá. Eu quero! Beijo grande.

    Curtido por 1 pessoa

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