66. da estação das águas

66. da estação das águas.jpgNas noites de chuva minha mãe cuidava dos enxovais das minhas irmãs mais velhas. Tecia em pontos e costuras o bordado, enquanto nos ensinava a coser.

Ponto após ponto a linha ganhava contornos de delicados centros de mesa, ou toalhas bordadas a mão.

Naquelas noites o afeto era explicito na arte que ela desenvolvia enquanto contava histórias de amor.

Os botões e linhas espalhados na cesta de linhas e os pingos a derramar lá fora.

O cheiro do chá a invadir os aposentos e a cena se repete em mim a cada ano, nesse tempo.

Contava as costuras dentro dos poemas enquanto uma delas lia um poema de amor. Foi ali que comecei a escrever os diários e a desenhar em palavras o que minha mãe fazia. Ela era a própria estação dentro da essência da água e hoje, acolho a chuva na alma de lembranças.

Mariana Gouveia
66. da estação das águas
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6 comentários em “66. da estação das águas

  1. Vi toda a cena se desenhando, feito bordado, nos meus olhos…

    Lindo, Mari! ❤

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  2. 0819claudiacap disse:

    Senti o cheiro da fonte e a agulha e a linha Cleia nos meus dedos.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Lunna Guedes disse:

    Nossa, viajei aqui… obviamente fui de encontro a mim mesma e minha infância de luvas feitas a mão. fiquei a imaginar nós duas, meninas, a trocar de cenários. Seria delicioso. Uma aventura.

    grazie por compartilhar essa lembrança, carissima

    Curtido por 1 pessoa

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