72. da estação das águas

A semente era preparada meses antes do começo das chuvas… o cheiro ainda permanece nas lembranças…

O café coado enquanto se prepara o arroz para plantar, o rádio ligado no programa favorito, a marcação do primeiro lote… tudo gerava a gestação do que nasceria tempos depois…

Elas eram escolhidas a dedo pelo pai, que sabia exatamente qual lote seria usado no ano seguinte e assim por diante.

O campo do capim dourado a aguardar as novas sementes e o capim colonião que logo iria virar pasto para o gado durante o período de seca e cama para os insetos que inevitavelmente viriam para ali.

A grama verde a escoar gotas e abrir caminho durante a madrugada – que era a hora exata de sair para o campo para a plantação – e logo depois e depois os brotinhos iriam começar a aparecer e dali, do alto do morro, ver a natureza cumprindo seu destino de vida.

Mariana Gouveia
72. da estação das águas
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6 comentários em “72. da estação das águas

  1. mariel disse:

    Dá pra sentir o aroma. Do café, do arroz e do suor caindo na terra

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    e meu pai não desfaz do torrador nem do moinho de jeito nenhum…
    Só não pode mais fazer todo trabalho…
    Beijo

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  3. Lunna Guedes disse:

    Ah, tarde de domingo, uma xícara de café e as lembranças a se multiplicar durante o diálogo de fim de tarde. Cheguei, puxei a cadeira e sentei para te ouvir.

    Curtido por 1 pessoa

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