73. da estação das águas

73. da estação das águas

Às vezes, escurecia em pleno dia, logo depois do sol estar em seu auge… as nuvens chegavam apressadamente e interrompia a brincadeira dos meninos. O vento arrastava a pipa para onde quisesse e deixava ela presa no fio mais alto da rede elétrica.

Da mãe, havia o medo da linha atrair os raios e ficava ali, a espreitar eles para que algum em sua audácia não se atrevesse a arriscar o resgate.

A pipa enroscada no fio ficava ali, a balançar dentro do vento enquanto a chuva chegava dominando o céu que escurecera de rompante.

Muitas vezes, por respeito a mãe apenas aquietava-se em frente a janela… olhos atentos no céu – o medo a espraiar dentro deles – a oração silenciosa rogando à santa protetora das tempestades que amenizasse os trovões – a coragem atravessada dentro da voz quando nos dizia que tudo iria passar enquanto o irmão com olhar ávido no esqueleto do brinquedo – o riso disfarçado dentro do beijo dado na testa em cada um quando o raio caía próximo.

O fogo a arder no fogão a lenha e o cheiro do mato verde molhado de chuva…

Mariana Gouveia
73. da estação das águas

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2 comentários em “73. da estação das águas

  1. Lunna Guedes disse:

    Se tem uma coisa que gosto imenso e do efeito dos ventos e das tempestades nos olhos alheios. Me faz sorrir dentro e fora

    Curtido por 1 pessoa

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