78. da estação das águas

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Todos os anos havia o ritual do milho no dia de São José. A escolha das sementes era feita por meu pai que escolhia uma a uma que seria plantada. O ciclo era feito de forma que quando chegasse as festas de Junho teríamos milho fresquinho para o bolo, o curau, a pamonha e depois seco para o ano inteiro para as criações, pro fubá, a canjica, pro cuscuz e outras iguarias que minha mãe fazia tão bem.

A trovoada era sinal de que se confirmava a chuva necessária para a plantação.
Nesse dia, sempre chovia – e em alguns anos que não choveu foi uma catástrofe para a colheita – e era o sinal que todos esperavam para começar a plantação das sementes.
Logicamente, pelo calendário, era o fim do verão e começava o outono com suas manhãs mais amenas… Porém, para nós ainda era a estação das águas e durava até o fim de Março.
O ciclo era de fé – e meu pai olhava o céu levantando o chapéu em forma de agradecimento – e ali, entre a máquina de plantar, o pé a cobrir a semente colocada como se fosse uma joia, ele repetia frases
de oferta e de agradecer.
Os dias a seguir eram de expectativas até a gente ver o raminho brotar e contar a partir dali, os três meses para a colheita.
A boneca a se formar em espiga, o verde tenro das folhas até a colheita eram momentos de magia dentro dos dias.

Mariana Gouveia
78. da estação das águas
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