84. da estação das águas

Meu pai tocava sanfona e a melodia entrava na alma dele quando abraçava o instrumento. Parecia que era outro homem… Os olhos ganhavam um brilho incomum… Irradiava a luz de algo que ele adorava fazer.

As mãos calejadas da vida dura no campo arrancavam com maestria do acordeon a canção que ele queria. Asa Branca trazia o sertão tão latente no ritmo que ele gostava…

Virava em festa em casa e a dança dominava os aposentos.

A chuva caia e entre uma canção e outra, meu pai admirava a névoa densa na serra.

– Amanhã chove de novo na terra – ele dizia –  neblina na serra…

E mais uma vez, repetia a frase que eu ouvia desde sempre:

” Neblina na serra, chuva na terra… neblina no chão, chuva não…”

Assim, os dias dentro da estação das águas cumpri seu destino de ser amor enquanto a sanfona espalhava seu som pelas mãos dele.

Mariana Gouveia

84. da estação das águas

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s