88. da estação das águas

Era o tempo da preparação de algumas colheitas. Os vegetais que foram beneficiados pela chuva estavam em pleno verdor.
Os quiabos exibiam flores e frutos e a horta era a maravilha que a mãe exaltava nas conversas com as comadres e tias.
A quaresma tinha o ritual mais do que comum na região toda. Nas quartas e sextas não comiamos carne vermelha e os legumes e vegetais – juntamente com ovos de galinhas – ganhavam ares de ceia na mesa nesses dias.
As histórias que o pai contava sobre quem teimava sobre esse “jejum” de carne beirava ao terror.
Era a visão do céu e inferno desenhada por palavras em gestos e onomatopéia…
Todos esses instantes foram moldando nossas vidas e ali, diante da estação que ia passando a gente aprendia entre o real e imaginário.

Mariana Gouveia

88. da estação das águas

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2 comentários em “88. da estação das águas

  1. Triccia Araújo disse:

    Tão lindo! ❤

    Curtido por 1 pessoa

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