89. da estação das águas

O monjolo era uma opção essencial para o andamento das coisas na casa. A água chegava através da bica, por causa do monjolo, que por sua vez, ajudava na socagem do café, do arroz, do milho e de mais coisas que o moedor não cumpria adequadamente.

Com o tempo das chuvas, a água se tornava mais forte e isso ajudava mais ainda na força do pilão.

O barulho era como se fosse uma canção e movia o ritmo que as coisas funcionavam.

Meu pai dizia que o monjolo chorava… Eu, já imaginava que o monjolo falava, assim como as asas das borboletas sempre diziam canções para minha alma. Ali, eu tinha o doce poder de tocá -las e sentir a leveza me tocar.

Eu fui criada pela música… Nos campos, o vento era doce melodia. A sintonia movia meu mundo no ritmo do monjolo, no canto dos pássaros, nas canções do rádio e na leveza da vida que pousava/pousa em minhas mãos.

Mariana Gouveia

89. da estação das águas

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2 comentários em “89. da estação das águas

  1. anovamente disse:

    A extraordinária beleza da simplicidade expressa na vida… e sua versão docemente poética.

    Curtido por 1 pessoa

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