95. dos dias aleatórios de Abril

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Virou personagem dentro da história. O olho a transparecer a vida – transparente – ali.

O homem a arrastar o saco onde continha lições de cada dia.  Tão visível o medo ligado a coragem no vulto da esquina. Repete o mantra de ontem mais por obrigação do que por vontade.
As palavras revividas, translúcidas as asas que esqueci em casa.
O excesso sentido lá atrás… Renasce na página seguinte do poema que leu.
O jardim suspenso, dentro da asa… translúcida.
A transparência era a palavra líquida do dia. Transformava em água – ou lágrimas – a ausência… Rabiscava o nome em letras feitas no ar, que se apagavam na inconveniência das horas.
Contou com a sorte do dia no horóscopo das flores. Algumas sementes não germinam ao acaso.
Contou sua história como exemplo de amor. Virou vilã dentro da própria dor.

Mariana Gouveia
95. dos dias aleatórios de Abril
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