106. dos dias aleatórios de Abril

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Tem dia que é um pássaro estranho que aparece no quintal – sem jeito de voar –  e a liberdade é esse sentido esquisito de pouso fora do ninho e o ramo a oferecer amparo…  o vento a abraçar o corpo desatento… e o dia a ser esse monte de pena dentro da alma.

Tem dia que é tão vago que não vale a pena desencantar.

Tem dia que a tarde parece noite no vazio das horas e que o quintal é um deserto apenas com um pássaro estranho no quintal.

A árvore cheia de frutas verdes que amadureceu a força e a travessa da cozinha vazia, espreitando o retrato na parede e a ave sendo esse objeto fora das coisas que eram para ser ditas e há apenas o canto do pássaro que vagueia por ali.

Tem dia que a madrugada é turva e os olhos não entendem os sinais de palavras sem liberdade não podem voar.

Mariana Gouveia
106. dos dias aleatórios de Abril
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4 comentários em “106. dos dias aleatórios de Abril

  1. Maria de sa disse:

    “Tem dia que a madrugada é turva e os olhos não entendem os sinais de palavras sem liberdade não podem voar.” Belo momento dedicado à perda da liberdade . Amei Maria

    Curtido por 1 pessoa

  2. Triccia Araújo disse:

    “Tem dia que é tão vago que não vale a pena desencantar.”

    Esse verso caiu como uma luva hoje pra mim…
    Lindeza de poesia, esses seus escritos, Mari! ❤

    Curtido por 1 pessoa

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