144. dos dias dias diferentes dos outros dias

144. dos dias diferentes dos outros dias

O tempo dentro dos relógios não tem noite nem dia.

Um caos se instala na luta. Os mitos quebram os espelhos. Vejo- me aos pedaços nos cacos. Deformam minha solidão inspirada na esperança.

A vida fica instável na palavra cantada.

Era necessário que o tempo estabelecesse a ordem…

O homem sangra na pele e a natureza cumpre sua rotina de beleza…

Em alguns dias, o mundo fica ao contrário e a leveza pende em um galho de flor.

Alguém fala de jazz ou de blues – nunca sei – e as cartas chegam espelhadas de vida.

No ônibus alguém faz os relatos do acaso e a moça tagarela diz sobre o que a patroa acha de tudo isso.

O cansaço domina a mente.  Lá fora a noite sabe pouco disso. As buzinas ecoam. O prédio vigia a rua no silêncio vazio da periferia. O silêncio é gritante diante do que se sabe. A inquietação toma conta do silêncio – que grita – e o espaço sufoca entre a teoria e as notícias.
É necessário ocupar a alma de leveza e apesar das horas invadirem o silêncio, ainda se pode conviver com a inquietação.

Mariana Gouveia
144. dos dias diferentes dos outros dias

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