149. dos dias diferentes dos outros dias

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A caixa de costura ganhou linhas novas. Jogo água nas plantas e busco o botão novo da flor.
Todo objeto aqui tem jeito de gente. A tesoura, uma bailarina a ensaiar passos no lençol novo.
Alguém confundiu semente com flor e a solidão das coisas apareceu no quintal enquanto garoava. Tudo era a estação errada a invadir o tempo.

As paredes inventam nomes rabiscados contando histórias. O micro mundo nasce onde ainda há pouco era chuva. Reconheço a figura nova no jardim. Tinha jeito de novidade junto do meu riso e penso que em algum lugar as lágrimas devem molhar as flores. Reconheço o sabor a sal na boca. Toco a brancura da pétala.

As flores merecem o afago. Em vez de mudanças, as lembranças cabem dentro das coisas. O Universo é feito de coisas miúdas.

O tempo muda e a moça do tempo fala dos próximos dias e eu fico a esperar que mais uma vez ela erre outra vez mais uma vez.

Mariana Gouveia
149. dos dias diferentes dos outros dias

 

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