159. da geografia das coisas

As porcelanas empoeiradas na mesa de cabeceira guardam segredos que apenas repetia para o espelho. Depois que colocou o pano azul para cobri-lo nunca mais ousou pensar neles.

Costurava a garganta todo dia para não cantar as canções daquele tempo em que a maresia trazia o balanço das ondas para o quintal.
Vivia todos os dias a metamorfose de se regenerar na dor. Era a asa quebrada no vento. Era o vento derramando força no pouso.
Queria a mão para que fosse leveza.
Queria leveza para que não doesse a alma – algumas dores nos fazem mais fortes – e para que apenas passasse os dias com suas rotinas.
O medo é apenas passageiro… dá apenas coragem para pousar quando é necessário o voo.
Mariana Gouveia
159. da geografia das coisas
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2 comentários em “159. da geografia das coisas

  1. Lunna Guedes disse:

    Mas nem sempre é coragem que precisamos para pousar. rs

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    Às vezes, é ousadia mesmo…

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