161. da geografia das coisas

 

A solidão é uma faca atravessando a garganta, o grito sufocado na dor.
As paredes fechando em todas as portas e o vento trazendo as folhas para o quintal.
Tem noite que o vazio atravessa a madrugada e o perfume das flores no jardim é apenas o aviso da passagem da lua pela décima casa astral.
A meteorologia erra a previsão e o uivo do cão na rua de cima faz lembrar das coisas da infância – quando o mundo cabia apenas até onde a vista alcançava.
Uma data me traz a presença de um menino que voou. O cheiro a exalar presenças de quem já partiu.
A vida é esse nocaute duro no peito e lua a embrenhar lembranças do santo, vontades de céu em noite de lua…

Mariana Gouveia
161. da geografia das coisas
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4 comentários em “161. da geografia das coisas

  1. Maria de sa disse:

    “A solidão é uma faca atravessando a garganta, o grito sufocado na dor.” Bem verdade …pior que um missil ….fuzila nos de um lado ao outro . Maria

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    Belissima combinação de imagem e palavras… a infância ficou aqui em mim. Aposto que vai esperar amanhecer para ir…

    Curtido por 1 pessoa

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