170. da geografia das coisas

 

Na hora em que os telhados velhos trazem lembranças da infância e o cheiro do mato se mistura ao orvalho da manhã, permito-me o cansaço, a saudade, o cuidado, o amanhecer.
A permissão para sentir vem da natureza e ela me concedeu a fé.
A memória resgata coisas que a menina dentro da mulher não quer esquecer.
Sabe quando a lembrança aparece em sua mente como se fosse um retrato na parede?
Calcificou em mim como osso na alma. O cogumelo colhido na floresta como se fosse a cura e de novo, dentro do pensamento o conselho do pai para o veneno das coisas bonitas e isso era base para mais um ensinamento.
Teve aquele dia, em que o corte no pé foi o momento certo para mostrar a cura eu chorei uma vida inteira. Ali, como se cada parte do corpo cada átomo do Universo parte de mim.
Quero te dizer que tenho shitake colhido ali, na parte onde a infância mostrava que tudo é o começo, meio e fim
e a poesia acabada de fazer, olho no olho, onde o orvalho cresce na minha própria alma.

Mariana Gouveia
170. da geografia das coisas

 

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2 comentários em “170. da geografia das coisas

  1. Até a colheita é feita de pedaços de sonho!

    Curtido por 1 pessoa

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