176. da geografia das coisas


Havia um tempo que ele me esperava
e nem ligava se a meteorologia errava a previsão do tempo e nem mesmo se a porteira estava fechada.
Havia um tempo em que o olho dele buscava minha presença no cheiro impregnado nas coisas. Não importava se fazia sol ou frio.
O olho dele era um menino errante na estradinha onde a curva desenhava o riacho.
Mudasse a estação ou as horas do dia, ele era presença de espera.
Mas quando surgiam os dias determinados pelo destino e minha voz ecoava o nome dele através da cerca a alegria fazia morada por ali.
Bastava dar um assovio e toda a traquinagem aparecia em forma de pelos e cor.
Havia um tempo em que nós cruzávamos as cercas em busca dos cogumelos e a floresta era nosso lugar preferido.  Sabíamos que haveria de chegar o dia de partida e que a precisão do amor era apenas a medida da espera.

Mariana Gouveia
176. da geografia das coisas

 

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7 comentários em “176. da geografia das coisas

  1. Emocionante, Menina poeta de asas, de borboleta!

    Lindo!

    Curtido por 1 pessoa

  2. KAMBAMI disse:

    Já vi esse tipo de carinha e quando vejo torno-me escravo, rssss. Não resisto. =)

    Curtido por 1 pessoa

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