177. da geografia das coisas

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Contava nos gesto o corpo partido. Os riscos da mãe, ali no papel… medidas em centímetros a saudade. Era coisa para ser dita a olho nu.
O pássaro sem asa, a linha ainda a costurar. A fruta no cesto – e o pomar – além da janela a exalar o cheiro real das coisas.
O conto de fadas em papel e palavras.
A irmã, ali, a imitar o mesmo gesto das tesouras e linhas. Artesã de alma e coração.
O mesmo ritmo a encontrar a paz na arte.
A letra da mãe ainda a marcar as cores fazia com que os instantes fossem relembrados entre risos e histórias.
Alguém lembrou do sabor do bolo feito com a massa de mandioca e com isso desenrolou casos vividos na época – como se isso puxasse um fio – e mais histórias surgiam na fala delas – e era possível viver a saudade no gesto.

Mariana Gouveia
177. da geografia das coisas
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6 comentários em “177. da geografia das coisas

  1. Saudade é fio de Ariadne!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    A saudade no gesto e sem dúvida a melhor parte. Me faz suspirar

    Curtido por 1 pessoa

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