180. da geografia das coisas

 

Quando ia imaginou o caminho da volta. A ave da sabedoria desenhou a rota em seu voo.

Virou o corpo para ver o mundo de pernas para o ar. Viu pirueta no riso das crianças. O cão que gosta da rua escala o muro em sua fuga. Tudo é rota enquanto explicou o sentido da asa. Contei histórias de princesas para quem já é uma – três já são – e as outras cabiam dentro do abraço.

A chaleira apita quando a água aquece e o cheiro do chá invade os quintais.

Às vezes, aqui, a terra se contorce debaixo dos pés; dizem que há um epicentro uns tantos de mil metros abaixo… e eu fico a pensar que a terra também sinta tremura e se a ave voará assim que sentir o tremor. Invento outra história enquanto a xícara pousa em um pires – elas, as meninas não se impressionam – fazem parte do conto de fadas ou não sabiam?
Digo que a Branca de Neve nasceu Maria  e que o brigadeiro tem a cor doce da Manu…

E a princesinha tem uma pulginha no riso da Bianca.
Crio o vento para falar outra vez de asas. Penso de novo no que faz tremer o chão e se a terra também agita, vale a pena ensaiar o destino de voos e preparar o corpo e a mente para prevenir os ritmos sísmicos das histórias.
As meninas voam dançando.

 

Mariana Gouveia
180. da geografia das coisas

 

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4 comentários em “180. da geografia das coisas

  1. Tão bom assim, voam ao natural, não se dão conta das asas!

    Curtido por 1 pessoa

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