182. da autonomia dos voos

Nasceu movida pela liberdade. Desde pequena acreditava piamente em tudo que tivesse asas.
O pai sempre afirmava que toda ação tinha reação e que a liberdade cabia sempre um preço na balança – não conhecia proibição – o respeito era a lição número um da cartilha.
Adorava subir a colina e ver o campo aos seus pés, o capim dourado, que a mãe usava para artesanato, ficava da cor de ouro ao por do sol.
Aprendeu com a fada sobre o sol e a lua. Amava a noite e respirava palavras Não as ditas, mas as escritas. Poderia escrever horas seguidas. Na areia, no papel, no ar…
Conversava sozinha, às vezes – ou sempre – e com as paredes.
Foi taxada de louca, de doida varrida, de pedra e de ar.

Havia acostumado molhar os pés com o orvalho das plantas… capim rasteiro que grudava na pele… relva que curava qualquer dor.
Quando podia, bebia na própria flor… Tinha essa mania de seiva.
Alguns diziam que era para se impregnar de perfume… Apenas ela sabia que era para se manter viva.
Tinha mania de céu. Repetia sempre que era o espírito da liberdade que habitava nela. Entendia o preço dela e pagava.
Mal sabia que era a única forma que tinha para voar.

Mariana Gouveia
182. da autonomia dos voos
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4 comentários em “182. da autonomia dos voos

  1. Há preços que pagamos com gosto! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    O importante é que existe um meio de voar.

    Curtido por 1 pessoa

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