183. da autonomia dos voos

Não há labirinto escrito no céu.  A asa flui em dimensão oculta para o pouso. Havia o pai a olhar a parede e o fio a ser morada do pássaro.

Havia algo dentro do riso solto e nem era dia…

A lembrança doce do que acontecia por detrás da porta. A frase escrita na parede ocre com a letra de criança. Era como se a história repetisse de fato o pássaro cativo do vizinho que foi solto por mim e da confusão que se armara dias seguidos enquanto eu repetia que ninguém podia viver sem liberdade.

Substituo a frase feita na memória. Contam-me as coisas que eu fazia quando ainda criava asas nos causos. Era árvore para todo voo.

No meu jardim há um espaço feito para eles. As flores de acordo com cada canto. Um assovio feito vento onde o êxtase era apenas ouvir o som.

Disseram-me que eu inventei um céu para o espaço. E não sabia o limite entre a vontade e o desejo. Esse era meu mundo. Cabe assim dentro de um olhar e cabe na liberdade de querer voar e pousar.

 

Mariana Gouveia
183. da autonomia dos voos

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4 comentários em “183. da autonomia dos voos

  1. Sabedoria pura, sem liberdade, sem vida!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Lunna Guedes disse:

    E a gente durante aqui a suspirar as invenções e a provar de uma realidade onde cabem sonhos. Aí aí ai

    Curtido por 1 pessoa

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