184. da autonomia dos voos

Usou a sorte do dia perante a aflição da dor. Rasgou o envelope pardo onde não havia cartas. Descobriu que a manhã tinha rompantes de brincadeira no quintal.
A asa corta a folha e rabisca os nomes no muro. Ficou a escrever vazio dentro das palavras. O tempo mudou como foi dito na previsão.
Ninguém sabe que na madrugada o frio é maior e que o trevo desabrocha para a vida minúscula vagar.
As linhas do bordado pousado na cadeira vazia. O cheiro do chá de erva doce a confiscar presença além das paredes. A lua lá fora é um silêncio que grita e a solidão esse objeto intruso dentro das lembranças.
Quase a noite a esvaziar o medo quando o dia começa a clarear e a asa começa a abrir pedindo presença de sol

Mariana Gouveia
184. da autonomia dos voos
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6 comentários em “184. da autonomia dos voos

  1. Até vi o local! Tuas palavras nos teletransportam!

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  2. Lunna Guedes disse:

    O momento em que se abre um envelope. É uma vida inteira ou apenas um mísero minuro. Tudo depende de que cuore selou a correspondência

    Curtido por 1 pessoa

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