185. da autonomia dos voos

Inquieta tarde e o pouso imaginário era de um homem, só o canto. Cabia na certeza das coisas o afeto rabiscado na parede crua. O muro tinha a tinta apagada e as folhas do pé de algodão caíam no quintal.

A senhora na janela do outro lado da rua resmunga a solidão e o roubo das frutas. Nunca sabe se planta para si mesma ou para as aves, que as roubam antes mesmo de provar.
Escrevi mais cartas para os envelopes coloridos e joguei fora lembranças mornas de amor.

No baú não coube mais as notícias diárias e nem as receitas das noites de insônia.

A ternura pousa na minha frente e tem asas de delicadeza no azul. Sabia do encantamento da ave e quis repetir que não havia dado nome à ela. Nome é essa coisa pelo qual te chamam e você se reconhece dentro dele… mas o que dizer de um pássaro que é estrangeiro no céu que voa?
Mariana Gouveia
185. da autonomia dos voos

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3 comentários em “185. da autonomia dos voos

  1. […] via 185. da autonomia dos voos — O Outro Lado […]

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  2. Pousos imaginários, dos mais reais!

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