187. da autonomia dos voos

 

Há um pássaro dourado voando em minha mão. E era feito de escamas – quase peixe – um tsuru desenhado na mente. E era de lata, a ave que cantava em silêncio, tal qual a menina muda que conheci dias atrás.

Há um pássaro preto, preso em minha mão e era feito de laços – um coração em presente – com suas asas negras a soltar penas e seu canto a ecoar memórias. Palavras que encontrei em um caderno velho onde escrevia histórias de amor.

Há um pássaro sem cor na minha mão. Era sem asas e sem pena – não cantava dentro da noite…

Mas quando amanhecia e o vento sacudia as folhas das árvores do quintal, ele voava e se tornava um beija-flor e era colorido com seu canto amanhecido de sol.

 

Mariana Gouveia
187. da autonomia dos voos

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5 comentários em “187. da autonomia dos voos

  1. Triccia Araújo disse:

    Que perfeição! ❤

    Eu, que amo os pássaros…
    Eu, que adoro ler-te…

    ❤ Amei esse texto! ❤

    Curtido por 1 pessoa

  2. Pra beijar menina de asas!

    Curtido por 1 pessoa

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