189. da autonomia dos voos

 

Havia feito um tutorial sobre perdas. Seguiu à risca cada etapa, mas na hora h, quando o vento lateral veio com notícias de ida sem volta esqueceu as regras ditadas por ela mesmo. Abriu os braços e sentiu a falta. Deixou a dor entrar pelo peito e apagou o rito do nascer.

As asas perderam o sentido de voos e ficou cinza as coisas.

Lembrou de anjo, andou pela sala orquídea e depois chorou. Longe. Para que fosse amenizada a lembrança.

E se eu não for poesia amanhã de manhã? E se a metamorfose não fizer jus ao instante. O momento tão fugaz e ligeiro. E a morte a rasgar a pele e camuflagem de vida fora da casca. Quando amanheceu no outro dia, já eram duas formas de partida.

No fim do dia somos só sombra na parede.

Mariana Gouveia
189. da autonomia dos voos

 

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4 comentários em “189. da autonomia dos voos

  1. Triccia Araújo disse:

    Estou sem palavras!
    Deixo o meu ❤

    E um abraço de asas… 🙂

    Curtido por 1 pessoa

  2. E nas sombras, ainda poesia!

    Curtido por 1 pessoa

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