190. da autonomia dos voos

Era ali, o meu palato inspirado na sorte, alguém falou sobre as notícias da noite e o dia nem acabara de surgir. As cortinas abrem para a janela lateral enquanto a canção ecoa no quintal.
O vento fresco anuncia a mudança da estação.
Além do muro a esperança era escrita nas paredes pelas crianças.
Queria essa solidão de todos e o exílio das asas levando o vento onde pousava e os pés dourados a procurar segurança.
Minha varanda tem vista para a floresta e as malvas a derramar aromas silvestres no quintal.
Todas as manhãs eu renascia dentro da autópsia de vidas que iam e revivia nos versos que elas me deixavam em relicários de voos que ainda não fiz.

Mariana Gouveia
190. da autonomia dos voos
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2 comentários em “190. da autonomia dos voos

  1. E as crianças, sempre escrevendo futuros!

    Curtido por 1 pessoa

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