193. da autonomia dos voos

 

Lembrou do filho que não viveu.
Ouviu Adele enquanto o pensamento voava. Rezou milagres na memória.Escreveu o nome dele no ar – era anjo, alguém disse –
Era asa.
Virou voo. Metamorfose em alguma mão.

Viu asas na roupa do menino. O céu era horizonte azul- uma canção falava disso – mas havia verde em qualquer folha.

Colocou cor no olho da moça de riso fácil. As mãos eram frias e frágeis. Cabia a liberdade nas mãos.
Viu as estrelas brilharem na água… O tempo refletiu nas lembranças e já era tanto tempo.

Sentiu o toque da vida  – que era vida em qualquer lugar – a capacidade de viver no exato momento da dor mesmo quando as asas cansam do voar…

e pousam.
Mariana Gouveia
193. da autonomia dos voos
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4 comentários em “193. da autonomia dos voos

  1. Haja coração!
    E inspiração… para tanto poetar bonito! ❤

    Tu é incrível, Mari! 🙂

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  2. E sempre que vê, ele pousa!

    Curtido por 1 pessoa

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