195. da autonomia dos voos

Pensou nas roupas do varal – o lençol branco, de linho, bordado com o monograma dela – quase um voo – era a invenção para ter asas…
As mãos a ganhar acaso de bicho. O imaginário a criar sombras entre o chão e o céu.
A pele a equilibrar a rotina do medo.
As falhas entre as folhas criam desenhos sob a luz da lua.
Ela – tão etérea – visitante invasora da vida. A renda a desenhar as asas.
Os olhos aumentados em uma lembrança que não vi. E o abismo tão imenso diante da miniatura no varal. E já não era mais o lençol da memória. Era esse abuso de cremar o ouro do sol.
O voo noturno e o pouso a caber dentro do sonho. A luz, quase vasculhando cada canto do quarto. Outro dia, era a certeza de tudo, hoje, apenas o vazio da solidão aérea das vontades.

Mariana Gouveia
195. da autonomia dos voos
Anúncios

6 comentários em “195. da autonomia dos voos

  1. fragafernanda disse:

    Esses voos, esses vieses! Suplanta-nos!
    Bonito demais !

    Curtir

  2. Lunna Guedes disse:

    Viajei no branco dos lençóis e me vi em quartos de Infância e em aromas de ontem.

    Curtir

  3. Roupas quarando lembranças!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s