196. da autonomia dos voos

 

enquanto eu falava do vento, ela criava poesias vendo o mar. os pés tocavam a areia fina – e minha pele ardia – desenhava o voo de quem voa lá no ritmo da asa. meu cabelo crescia diante do sopro – as ervas daninhas a aumentar no jardim. e o trevo da sorte nem continha a sorte real. era tudo obra do acaso enquanto a previsão anuncia mudança. me perguntam se prendo as joaninhas na gaiola. não aceitam o fato de que a sorte mora desse lao do muro. hoje já não é mais a mesma coisa e nem o verbo voar cabe na vontade da asa. havia um pé de nada que produzia sonhos e no quintal anunciam que o inverno vai chegar de verdade. não é todo sonho que se pode sonhar – pode-se usá-lo do lado do avesso – e ainda assim, torná-lo real. enquanto o pulmão respira sem ar. faz figa, moça. a sorte bate do lado de fora da estação.

Mariana Gouveia
196. da autonomia dos voos
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6 comentários em “196. da autonomia dos voos

  1. Lunna Guedes disse:

    Por aqui as estações seguem a farra de frutos todos e a gente sonha com dias frios.

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  2. SC disse:

    Lindeza em dobro ❤❤!! Beijinhos além mar querida😘!! 🌹

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  3. Vamos contar, que no três a sorte pousa!

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