201. da autonomia dos voos

O pai contou histórias do tempo que a curva do rio teve de ser modificada para proteger as nascentes.
A sabedoria das coisas estava em recuar quando fosse preciso e a brisa matinal era a lição mais lógica para isso.
A ave espreitando a vida e o mundo sendo sufoco diante do grito.
O filho sendo a imensidão da angústia. A ave sendo ameaça para o novo. A revolução na voz de quem já não pode cantar.
Essa era a hora que eu queria ser menos, igual ao poema da minha favorita.
Tem como devolver perfume dentro das palavras? Ou voar junto com o pássaro que fica a cata de comida?
Quando o riacho se abre e a flor do pântano morre, o lago vira morada dos sonhos ocultos. Era como o arrozal não semear o cheiro da colheita pela floresta inteira.
Há dias tão vazios de vida que eu pergunto: onde você nasce quando morre?
Ou que céu você povoa quando ele fica nublado?
Que sol amanheceu em seu dia?
Mariana Gouveia
201. da autonomia dos voos
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6 comentários em “201. da autonomia dos voos

  1. SC disse:

    Diário íntimo, uma dádiva aos 5 sentidos!! 🌹

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  2. Há saber, por onde vá!

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  3. Lunna Guedes disse:

    quando está nublado e quando de fato existe céu. No mais é apenas azul. rs

    Curtido por 1 pessoa

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